É comum observarmos que muitas das empresas que já exportam ou que desejam atuar no mercado externo têm como objetivo o mercado americano. Essa é uma visão simplista e limitada do comércio global. Quando tomam esta decisão certamente estão analisando apenas o fato de os Estados Unidos serem a maior economia e os maiores importadores mundiais. O que estas empresas esquecem é que as dificuldades de estabelecer relações sólidas e rentáveis neste mercado são diretamente proporcionais ao seu tamanho. É importante lembrar que, assim como elas, há milhares de outras com o mesmo objetivo. Por esta razão a oferta de produtos e conseqüentemente o número de concorrentes com os quais precisam disputar o mercado também é muito grande. Isso coloca o importador americano numa posição bastante cômoda para negociar as condições que mais lhes sejam favoráveis. O que significa que a negociação será, na maioria das vezes, muito limitada para o exportador. Além disso, há uma eterna instabilidade no negócio, já que o importador, diante de um número enorme de fornecedores, dificilmente hesitará antes de trocá-lo por outro que lhe ofereça condições mais rentáveis. Muitas vezes um ou dois dias de atraso no despacho da carga ou um pequeno equívoco na documentação de embarque são motivos suficientes para o importador deixar de comprar. E, considerando nossas condições logísticas/portuárias sabemos que atrasar o embarque de uma carga não é algo raro de se acontecer. Também não podemos esquecer que quando se trata de pagamento, um ponto delicado para os exportadores brasileiros ainda pouco familiarizados aos termos praticados no comércio internacional, o mercado americano pode oferecer uma desagradável surpresa. O país aparece acima da média mundial de inadimplência !! Diante de tantas dificuldades por que insistir num modelo estratégico (se é que chega a tanto) que prioriza um mercado e relega a segundo plano tantas possibilidades de negócio ? Opções não faltam. Um bom exemplo são nossos “quase vizinhos” centro americanos e caribenhos. A região, por natureza, é francamente importadora. Pouco ou quase nada se produz nestes países. O que representa uma excelente possibilidade de negócios, pouco explorada pelos exportadores brasileiros. Ao analisarmos as vendas brasileiras do ano de 2006 para o Caricom (Caribbean Community and Common Market) e MCCA (Mercado Comum Centro Americano) vemos que além do baixo valor exportado, diante do potencial da região, os valores caíram 4,58% e 0,89% respectivamente em relação ao ano anterior. Mas a culpa não é exclusiva dos exportadores. É inadmissível, mas ainda não há nenhum acordo comercial entre o Mercosul e os países da região, que é ativa em termos de integração regional. Enquanto vivemos este clima de indefinições e dependência de um bloco com falência decretada, perdemos competitividade. Por outro lado os Estados Unidos ocupam o posto de maiores exportadores para a América Central e Caribe. A relação do país com região vai além do elemento mercantil. Os EUA exercem forte influência sobre toda a região a ponto de determinarem os padrões de referência como peso, medidas, design, cor, etc. Por conta disto, é comum que as empresas da região sigam os padrões americanos e comprem de outros países a mesma linha de produtos que é vendida para os Estados Unidos. Mais um bom motivo para os exportadores brasileiros, que sofrem as agruras das negociações com os americanos, pensarem em dar novos rumos às suas cargas.